RASCUNHOS DO TEMPO
Teu corpo distingue-se sobre o meu
pela diáfana desordem, hesitantes gemidos,
que guardam em si a virtude dos temporais.
Teu corpo imerso em lágrimas vulcânicas
violando os nomes que dedico a seus rostos.
Mitos surpreendidos por escavações.
Já não habitas o sítio impreciso da miséria
humana. Novas palavras escalam teus seios,
fogos disfarçados, mistério relutante. Quando
estás sobre mim, derramas uma verdade
estremecida que nutre os provérbios de teu gozo.
E te refazes com urgência, repondo tecidos
e maquiagem, a caminho do esquecimento.
A vida inteira amparada em sua devassidão.